24.4.07

Semana bem mais calma

Parece-me que estou bem mais calma. Felizmente!
Já andava a stressar demais, e isso não é nada bom. Fico impossível de aturar, sem paciência e mal encarada.
Na passada semana tive a plena consciência que o meu estado de stress estava a passar das marcas...deve ser mesmo muito difícil viver comigo, principalmente quando parece que todo o mundo me deve dinheiro :P
Bem, mas falando de coisas bem mais agradáveis, amanhã é feriado :) numa 4ª feira saberá mesmo a pitéu!!!
Assim estou livre das minhas pestes do 8ºB, a maravilhosa turma lá do colégio:P
No próximo fim de semana, se o tempo o permitir, e é bom que o permita :/, vamos acampar, andar de bicicleta e andar de kayak. Estou mesmo a precisar de 4 dias em contacto com a natureza, para relaxar...
Agora torçam para que o tempo não me pregue a partida :(
Sejam felizes!!! :D

20.4.07

O que faço eu aqui?!

Sinto-me a mais. Como se o espaço que ocupo estivesse a ser disputado por alguém...como se incomodasse a minha presença.
Se pudesse deixá-lo de ocupar, de imediato me retiraria. Mas para onde? Como? Quando? Porquê? Para quê?
São tantas as perguntas que tenho na cabeça e nenhumas respostas.
O tempo passa; eu, perco cada vez mais a paciência e a capacidade de reatar seja o que for que exista ainda.
Não vejo esforços para alterar comportamentos, não vejo vontade de estreitar laços, não oiço pedidos de desculpa ou introspecções profundas.
O meu dia-a-dia tem sido aquilo a que se pode chamar um tédio!
Nada de novo, apenas mais um dia aqui metida, fechada, prisioneira, contrariada...sempre a levar na cabeça - nunca acerto em nada! - como se fosse um cão vadio a quem um homem cobarde e cruel dá um pontapé.
Quero mudar. Quero ser eu mesma. Mas já passaram tantos anos, não sei se ainda me recordo do que era, do que queria, do que desejava, o que me fazia feliz...
A felicidade...
A palavra mais estúpida que posso dizer, porque já a disse em tantas situações, e parece que acaba sempre por não fazer sentido!
Possivelmente, o segredo é mesmo esse: a felicidade está em pequenas coisas, e não em grandes acontecimentos.
Em pequeninas coisas já fui muito feliz. :D Em pequeninos momentos toquei o céu, beijei as estrelas...e voltei, radiante, e ansiando que, mesmo que não se repitam, não fique senil com a idade, para que possa saborear esses momentos, mesmo que só no pensamento!
Acho que sei o que quero :S Quero viver cada dia como se não existisse amanhã. Quero chegar à noite, na cama, e poder dizer ' hoje valeu a pena' :D
Jamais quero repetir esta sensação que me acompanha à tanto tempo, que nem sei ao certo quanto é.
Todas as noites, acabo por lamentar algumas coisas, e deposito as minhas esperanças no novo dia que há-de nascer. E todos os dias, acabo por sentir o mesmo!
Afinal, foi para isto que casei?! Deixar de ser uma pessoa, deixar de ser eu, passar a não ter vontades nem direitos...apenas ganhar como prémio por ter cumprido os 'meus deveres' de esposa e mãe palavras secas que dizem 'vê se amanhã não te esqueces de fazer...'.
Ser mulher às vezes enoja-me. Mas também não queria ser homem.
Nesta vida deveria ter encarnado num corpo de um cavalo, ou cão, ou mesmo de um pássaro...queria tanto ser livre, e não me refiro ao estado civil!
Ser realmente livre - poder ser eu mesma, fazer o que quiser, e ainda assim, ser aceite pelos que me rodeiam.
Acho que o Amor é isso mesmo - aceitar o outro tal como ele é. Dar-lhe espaço. Tentar compreendê-lo, ouvi-lo, acarinhá-lo, sempre que precise. E insentivá-lo a ser ele mesmo, a ser único...não cortar as asas...
E as minhas estão curtas à tanto tempo...mas serei capaz de voar no momento certo.
Está a chegar esse dia...do bater de asas e voar pelo mundo fora!

Cúmplices?!

O homem do leme...



Imagens para quê, quando a letra é tão rica?! É assim quem me sinto...no leme, sozinha, lutando contra a maré...

Mas o dia há-de nascer, e eu chegarei ao fim do meu caminho, um rumo traçado ao sabor do vento, mas serei feliz, porque não desisti! :D

18.4.07

Lágrima azul

Corre, lágrima, face abaixo,
fugindo, triste e feroz,
buscando um fim para a dor,
que é grande, doída e atroz!
Lágrima azul, caída,
do olhar de quem já não vê,
de um sonho, estás tu perdida,
lágrima que já não é!
Foste um dia parte de mim,
lágrima nascida, lágrima amargurada.
Hoje chega aqui o fim...
para mim não és mais nada!
Sofia Felizardo

Primavera abstracta!

(foto tirada do site http://www.olhares.com/primavera_abstracta/foto1161208.html, por Sérgio Fernandes)

Porque insistes tu, oh Primavera,

em alterares a minha vida...

quando eu afinal estava à espera

de mais uma vida perdida?!

Tenho sentido no meu peito,

arder o fogo que queima sem se ver,

tornando o meu viver imperfeito,

buscando a alegria no prazer...

Se tudo o que sempre desejei

foi viver com paz, em harmonia!

Porque tinhas tu que perturbar

esta vida, que era vazia,

Mas que me dava segurança,

não me fazia temer...

e agora sinto-me uma criança

perdida no mundo, tentando sobreviver!

Sofia Felizardo


Budha

"Tudo o que somos é o resultado de nossos pensamentos"
Isto tem muito que se lhe diga...tenho que esforçar-me por ter pensamentos mais puros e mais harmoniosos, porque a ver pela minha vida, tenho pensado em muita coisa errada!

9.4.07

Regresso à realidade...

E a realidade é feita de rotina, aulitas, alunos, horários, toques, pó de giz, barulho na aula, alunos travessos, sala de professores, fila para o bar, gritaria nos corredores, futebol no recreio, namoriscos nas escadas...
Mesmo sem grande vontade de acordar cedo, comer à pressa, vestir o puto em tempo record e aturar ' não quero ir para a escola' no caminho de carro, lá vai começar mais um período, o último deste ano lectivo.
Que os meus alunos venham com vontade de aprender, de desenhar, de pintar, e, sobretudo, de ouvir e saber pedir a palavra de uma forma organizada!
Ah! E já agora que o ambiente entre colegas tenha melhorado um pouco mais :D que não hajam stresses, como no 2º período e que o sr. director tenha a humildade de reconhecer que lidar com os 9ºs anos deste ano não é pêra doce! - Um passarinho contou-me que a viagem de finalistas a Londres poderia ter corrido melhor - Loooooooooooooooooooooool
FELIZ ÚLTIMO PERÍODO DE AULAS NO COLÉGIO! YUPÍIIIIIIIIIIIIIII!
Adenda: Amanhã o blog faz 1 ano de existência :D parabéns para mim, que cá me mantenho, às vezes melhor, outras nem tanto, mas sempre em frente ;)

30.3.07

Rotina




Detesto quando me sinto assim: tipo ovelhinha atrás do rebanho! :P
Maldita rotina, é o que é!

Qualquer dia também faço como este Mr. Blue: dou o grito do Epiranga...e depois logo se vê...o pior é se o rebanho me imita... :S

:D:D:D

27.3.07

Elogio ao Amor


"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino.
O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê -la também.”
(de Miguel Esteves Cardoso - Expresso)