26.1.07

O ÚNICO DEFEITO DA MULHER (:D)

Enviaram-me por email, e achei bonito.

"Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro.
Não sei se hoje isso ainda acontece. Sou anti-social ao ponto de não frequentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízos.
Mas era assim que a coisa acontecia naqueles tempos. Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto a observar a paisagem. Bem, depressa verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatómicas. A fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.
Explico: no lado masculino imperava o embate das comparações e disputas."O meu carro é mais potente, a minha televisão é mais moderna, o meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, a minha equipa de futebol é mais forte, eu dou 3 por noite" e outras cascatas típicas da macheza latina. Já no lado oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimónia que me deliciava. Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como mexerico. Discordo. Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. Constatem, é fácil. Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, as mulheres já chegam com quase metade da lição estudada. Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática. Ela brinca às casinhas e aprende a pôr um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha a quem chama filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma ideia muito clara do que vem a ser isso. Noutras palavras, ela já nasce a saber. E o que não sabe, intui. Já com os homens a historia é outra.
Você já viu um menino dessa idade a brincar aos directores? Já ouviu falar de algum garoto fingindo ir ao banco pagar as contas? Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do IRS? Não, nunca viram e nem hão-de ver. Porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto-juvenil. O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos.
Aí reside a maior diferença.O que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia e competição. Então a fuga acompanha-os o resto da vida, e não percebem quanto tempo eles perdem com seus medos. Falo sem o menor pudor. Sou assim. Todos os homens são assim. Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado. Sempre consegui ver a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia. Porque todas as mulheres são lindas. Se não no todo, pelo menos em algum detalhe. É só saber olhar.Todas têm a sua graça.
E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones da futilidade, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim.
Incautas não por serem ingénuas, mas por acreditarem. Porque todas as mulheres acreditam firmemente na possibilidade do homemideal. E esse é o seu único defeito."

(Texto de Sérgio Gonçalves, redator da Loducca, publicado no Jornal da agência).

25.1.07

Fragilidade e negação

Estes dois sentimentos têm, de alguma forma, transformado a minha vida nos últimos dias.
Sinto-me muito frágil...quase de porcelana, como se a qualquer segundo me fosse partir em mil pedacinhos!
Nego, para mim mesma, certos pensamentos e certas vontades...pergunto-me se serão, de facto, como aparentam: serem o mais certo para mim.
Não consigo obter respostas claras: certo é que não vivo feliz. E assim não posso continuar.
O vazio que existe dentro de mim é enorme!
Por vezes, dou comigo a pensar em 1001 formas de fugir desta realidade, procuro n motivos para acreditar que isto é só um sonho mau, no fim irei acordar, feliz, alegre, bem disposta, rodeada de gente que me ama e me quer bem.
Todos nós sabemos que para vivermos felizes, não basta só queremos ser felizes. Vivemos em sociedade, como tal, essa sociedade funciona para o bem e para o mal, impondo-se em cada decisão e/ou pensamento, gerando muitas vezes sentimentos de culpabilidade e criando enormes fossos sentimentais, onde caímos, interminavelmente, a cada segundo que negamos encarar a realidade.
Quando penso que gostaria de ter 15 anos de novo, diz apenas respeito à possibilidade de, com essa idade, errarmos e termos mais facilmente outra oportunidade. As coisas não têm que ser perfeitas e é-nos dado o benifício da dúvida.
Quando somos adultos, e quando somos pais, não nos é dada essa oportunidade - se erramos, seremos condenados de imediato, cruelmente, por toda a sociedade que nos rodeia.
A expressão 'queimada em praça pública', agora não literalmente, mas continua a existir. De uma forma muito mais maléfica, porque nos corrói a par e passo, tornando-nos num ser desprezado e difamado, quer se tenha causado dano a terceiros ou apenas a nós próprios.
Vivemos numa época em que a imagem vale por 1000 palavras: se queres cair em graça, basta seres elegante e arranjares-te bem. Mesmo que cultives o mal, que semeies a discórdia.
O mundo de hoje está feito para pessoas que apenas olham para a embalagem, e facilmente desconhecem o interior. Afinal, para que é que isso serve?!
Pois bem, recuso-me a viver acreditando que se és gordo estás lixado, se és magro mas um grande filho da **** safas-te de qualquer forma!
Para mim, viver é muito mais do que exibição. Viver pressopõe sentir, presenciar, saborear, sofrer, conversar, escutar, reflectir, sonhar, e acreditar que todas as nossas acções vão contribuir para um crescimento pessoal, um crescimento espiritual.
Sermos bons e semeando a bondade, o mundo tornar-se-à num mundo melhor.
Recuso-me a deixar isto de parte!

17.1.07

Bater de coração



Bate, bate,
desamparado
num bater desatinado
sem medo de bater
procurando compreender
este bater tão alucinado!

Bate, Bate,
e volta a bater!
e as voltas que a vida dá
sem um bater é que não dá
tem que bater o coração
para não perder a razão
bate, bate,
de emoção!
Ana Sofia Felizardo 17/01/2007

16.1.07

Texto com cabeça, tronco e membros

A pedido de algumas famílias, vou tentar escrever algo coerente, não preocupante, ao contrário do que tem acontecido ultimamente.
Realmente, às vezes tenho uma séria dificuldade em ver que a vida é bela e que existem 1001 razões para eu me alegrar.
Bem sei que tenho alma de péssimista, parece que procuro o lado negro das coisas...
Ultimamente tenho passado uma série de provações pessoais. Tenho tentado sempre demonstrar o meu estado de espírito, mas também sei que, para quem lê e não sabe o contexto, fica muito preocupado a pensar que estou prestes a dar um tiro na cabeça.
Animem-se: eu não faria isto!
Não digo nunca, porque não sabemos o futuro, mas decididamente, este não é o momento para desaparecer desta vida :D,que apesar de me ter trazido algum sofrimento neste espaço de um ano, também me tem dado muitas alegrias...
Quem me dera a mim partilhá-las com todos os meus leitores!
Acontece que prefiro manter a distância suficiente, para, apesar de demonstrar a minha alegria ou tristeza, não seja possível de imediato saberem o que se passa.
É um blog, é público, e por ser tão público, prefiro reservar-me um pouco e guardar para mim todas as verdades que escondo entre estas linhas.
Muitos dos leitores ficarão ansiosos, tentando adivinhar o que possa ser, mas vos garanto - tudo o que se passa comigo, se mo dissessem à um ou dois anos atrás eu negaria.
E hoje faz parte de mim, e é assim que quero que continue...
Adiente.
Queridos amigos, quero que saibam que apesar de a distância ser alguma, e já à algum tempo, estão sempre no meu coração! Quero que encarem o meu blog como um diário...se hoje estiver triste, vão encontrar uma leitura triste, feia, sofredora...
mas se estiver feliz, de certo terão vontade de partilhar estes momentos de alegria que eu efusivamente escrevo aqui...
O que pretendo com isto não é deixar-vos desnorteados...procuro apenas escrever. Como sempre gostei de escrever. E como o papel amarelece, aqui escrevo, apago, releio, faço o que bem quizer...
No fundo, o meu diário de adolescência apenas ficou mais sofisticado: coisas das novas tecnologias!
Por último, quero que saibam que o meu coração é muito grande, e cabem todos, mesmo TODOS os meus amigos...
Beijinhos grandes!
P.S.- Patrícia e Francisco - fico à espera desse cafézinho com direito a 'lavagem cerebral' loooooooooool

15.1.07

Sol que se pôs contra a minha vontade

Tentei agarrá-lo, mas ele não me deu ouvidos! Bem sei que não tenho a força e a coragem necessária para prender o Sol, sozinha, mas custou-me imenso vê-lo partir, por trás da linha do horizonte, em busca de outras cidades para iluminar!
As antigas cidades, onde ele já passou, muito antes da minha, lutam à muito para que ele brilhe, a 100%, sem interferência de nuvens pequenas...mas eu, simples nuvenzinha cinzenta conformei-me e alegrei-me, com a sua presença.
Agora vejo-me à deriva no céu, de tão cinzento até gelo, sinto-me a morrer aos poucos, por falta dos seus lindos raios doirados!
A minha cidade perdeu a cor...tal como a minha vida!
Sim, sem o Sol não quero viver...preciso respirá-lo a cada passo, vislumbrá-lo a cada minuto.
Fazes-me falta, Sol, volta para me aqueceres, volta para me dizeres que nunca mais irás embora, volta de vez!
Nem que tenha que mudar de cidade, e deixar as nuvens minhas amigas, eu vou para onde tu fores...desde que tu queiras. Assim como eu te quero, Sol.
E um dia, lá no alto do céu, todos verão o Sol e a sua nuvenzinha bem juntinhos, com um ar felizes...porque encontraram na vida o que mais queriam: um ao outro!

Como perder a vontade de viver em apenas 30 segundos

Para que isto dê certo, basta meter os pés pelas mãos.
Lembre-se sempre: nada correrá como previsto, se você insistir em concertar as coisas.
Para que o mundo desabe na sua cabeça siga o que lhe digo, ponto a ponto:
  • afugente de si todas as pessoas que realmente ama
  • feche-se num casulo - se o não tiver pode esconder-se dentro da cama - o resultado será o mesmo
  • atire pedras em todas as direcções - as probabilidades de atingir alguém aumentam substancialmente
  • finja que está louco e feliz - assim deixá-lo-ão em paz para sofrer sozinho a sua amargura
  • não atenda os telefones, não responda aos emails, afaste-se da comunicação e do mundo
  • meta na cabeça que esta vida é apenas um sonho - a sua vida verdadeira está prestes a começar, logo que tenha tomates para por fim a esta
  • sempre que alguém se ouse aproximar e lhe pergunte se está tudo bem, diga que sim, com um sorriso de orelha a orelha - estou apenas a levar a cabo uma experiência sobre os ácaros e os colchões!
  • salte de alegria cada passo que der fóra do seu quarto - assim todos se contagiarão com a sua (fingida) alegria
  • cante efusivamente canções infantis - vai ver como ninguém a levará a sério e, assim, a deixarão em paz, livre para se afundar na merda em que se meteu!

Caso nada disto resulte, então o melhor mesmo será, de uma vez por todas, esquecer-se que sente, ama, respira, vive...e poderá copiar esse exemplo a velhotas da provincía, que aos olhos mais comuns parecem viver condignamente e em felicidade total! Deverá sentir respeito por essas pessoas, porque não foi com facilidade que se anularam...houve um vasto sofrimento inerente à coisa!

Viva pouco...sofra ainda menos!

12.1.07

O Principezinho

E assim se passaram 13 anos e meio.
Levei este tempo todo a entender o porquê de ele querer que eu lesse este livro. Não era apenas por ser uma obra fantástica. Havia mais qulaquer coisa: uma mensagem, que, na altura, não consegui ver.
Na altura, uma miúda de 15 anos, tinha os olhos turvos: dificilmente enxergava o caminho por onde andava. Os sonhos passavam a mil à hora em frente dos olhos, de repente, tive a consciência que conhecia o meu Príncipe, e, mais depressa ainda, o vi fugir por entre os dedos. Feito areia do deserto.
Esta frase que hoje li, fez-me ver:
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
Saint-Exupèry
Foi isto que ele quis me dizer. Ele teve a consciência que me tinha cativado, e sentia-se responsável por isso. :D
Hoje estive a reler o livro. É sempre tão delicioso! E será sempre o melhor retrato do 'meu' príncipe real...um rapaz de cabelo loiro, que me fazia perguntas incessantemente, de uma forma desconcertante.
Mas naquele caso, a criança era eu, ingénua, inocente, sem malícia. E ele era ao mesmo tempo a raposa, a flor, o carneiro, o aviador, o rei, o vaidoso, ...


4.1.07

Vida em mudança

É sempre bom no início de cada ano fazer uma retrospecção e refletir sobre o ano que findou.
Tentar perceber o que correu bem, o que correu menos bem, e tentar melhorar.
No ano de 2006 muita coisa negativa se passou.
O meu filho esteve gravemente doente e internado no hospital, o meu tio ficou com uma leucemia e acabou por falecer em Dezembro, outras pessoas da família estiveram doentes e/ou faleceram.
No campo profissional, também soube no fim do 1º trimestre do ano que não haveria hipóteses de continuar no colégio onde estava, para meu desconsolo.
Termino o ano a trabalhar num local com mau ambiente, mal paga e sem condições, tendo que aturar atitudes negativas de pessoas que já lá trabalham à algum tempo
Mas não foram só coisas más.
Felizmente este ano transato teve uma coisa muito positiva - reencontrar amigos do liceu. Estreitar laços com uma amiga que sempre ficou no coração, esclarecer um passado de confusões e de constragimentos com outra pessoa que gosto muito.
Tem sido muito importante para mim esse 'regresso ao passado'!
Vivi, em 2006, momentos de muita angustia, mas também de imenso amor e união.
Para além do reencontro com velhas amizades, reencontrei-me comigo mesma.
Descobri que sou mais forte que o que supunha: sempre pensei que perder o meu tio quando menos esperava me causasse imenso sofrimento. Que me sentisse revoltada e triste.
Fiquei triste e saudosa, obviamente. Mas senti uma paz imensa, que, para mim, significa que o meu tio está bem. E isso é o mais importante.
Também pedi a Deus que me desse força para conseguir resolver e ajudar a resolver todos os problemas e dificuldades que cá deixou, tal como 4 filhos menores.
E tenho sentido muita força em mim, para não desabar e ajudar a minha mãe, avó e primos a superar a morte de um irmão, filho e pai, respectivamente.
Era meu padrinho, nem sempre presente, nem sempre perfeito, mas sabia que me amava e eu também o amava muito.
Fico cá, o tempo que ficar, para olhar pelo meu afilhado (filho dele mais velho) e irmãos.
A família é o mais importante na vida! Pela família, vale a pena os sacrifícios, as preocupações, as angústias.
Feliz 2007